“Acreditar no Pai Natal”

PaiNatal

(todos os Natais o Pai Natal feito por ela, ainda anda por cá /94)

Quando a M. era pequena e andava numa escola dita um bocadinho “especial”, a questão de acreditar ou não no Pai Natal nem sequer se punha. Era raro o menino ou menina, por menos idade que tivesse, que naquele universo de famílias, fosse levado a acreditar numa história assim. Era vista principalmente como um “enganar-de-criancinhas”, ainda para mais sabendo que viria a ter de ser desmascarada, mais tarde ou mais cedo e fazer dos adultos responsáveis, praticamente uns aldrabões aos olhos das suas crianças 🙂 A sensação (parva, acho eu agora) que aqueles adultos tinham, era na maior parte dos casos esta…

Entretanto fomos para Itália e a M. no Natal, na sua nova escola, deparou-se novamente com o assunto. Ali, contrariamente a cá, não há menino nenhum que não acredite no Pai Natal e na “Befana”, a bruxa que, juntamente com os reis magos, vem trazer doces ou carvões aos meninos bem ou mal comportados.

– Mãe! Tenho uma novidade muito boa para te contar!

– Sabes?! – Afinal o Pai Natal existe!!! :))

… Ó M…. Lembras-te que já falamos disso? Em Portugal… Já te expliquei… A história que alguns pais contam a alguns meninos, porque provavelmente também lhes contaram a eles em criança…

– Não mãe! Não estás a perceber!  Afinal é mesmo verdade!!

– M…

– Foi a professora que confirmou, eu perguntei-lhe! As professoras não mentem! Tentei explicar a uma amiga que o Pai Natal não existia e ela ficou a olhar para mim e disse que eu estava maluca… Disse-lhe que a minha mãe me tinha explicado, que alguns pais contavam aquela história… Depois fomos falar com a professora e eu contei-lhe também que tu me tinhas dito a verdade… Ó mãe, a professora disse que era verdade, que ele existe!! Ele existe!!! Não é giro?! Estou muito contente, por te teres enganado… |:)|

Bem… Foi uma trapalhada de pensamentos… Andei horas a hesitar entre passar por mãe aldrabona, por deixar que a palavra da professora fosse de maior confiança do que a minha… E deixa-la viver aquela que afinal de contas era uma alegria (estava à vista) e sinal de inocência ajustada e possível apenas naquela idade, comum a todos os meninos do novo universo dela…

Fui falar com a professora, ainda falava mal italiano e lembro-me que não foi fácil 🙂 Depois de algum pasmo e estranheza, acabamos por chamar a M. à parte e a professora lá lhe explicou que de facto, mais do que o prazer do Pai Natal existir, a mãe era de confiança… Ainda assim, os outros meninos, todos, não podiam saber de nada, nem desconfiar e que por isso ela, embora da idade deles tinha que os “proteger” da verdade, como faziam os adultos…

A M. saiu da escola pela mão da mãe-de-confiança e quando chegou a casa, virou-se para mim, com um ar pensativo e decidido e disse:

– Sabes mãe, estive a pensar e percebi que se acreditarmos muito numa coisa é como se ela fosse verdade e eu quero acreditar… A partir de agora acredito no Pai Natal, olha que acredito mesmo! Por isso existe :))

Eu muito espantada a olhar para ela feliz e tão feliz por ela, que pôde e escolheu ser criança.

Ela tinha 6 anos e acreditou o tempo que quis acreditar.

Eu tinha 24 anos 🙂 e ainda hoje, “quase-acredito” 🙂

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